Chega ao fim o programa de alerta de cheias!

Foto Capa: José Patrocínio/AE

Realmente parece que os governantes do Estado do Rio de Janeiro esqueceram-se das últimas tragédias que ocorreram em 2008 e 2011, na região serrana, e em 2010 na cidade do Rio de janeiro, pois apenas quatro anos depois da última grande enchente no estado, o programa de alerta de cheias (Alerta INEA), mantido pelo Governo do Estado e sob supervisão do INEA (Instituto Estadual do Ambiente), foi descontinuado (1). O programa já estava sofrendo cortes orçamentários nos últimos anos e passava por problemas para renovar licitações com a Infoper, empresa contratada desde o início do Alerta. O sistema mantinha contato com a população via telefone e internet e, funcionava, com cerca de oito funcionários, dentre eles técnicos em meteorologia e meteorologistas concursados pelo INEA. Hoje os funcionários contratados estão demitidos, o site onde ficavam as informações referentes as estações (pluviômetros) está fora do ar (2) e os servidores sem estrutura para continuar o trabalho. O sistema recebia diariamente diversas ligações de moradores de vários municípios do estado que entravam em contato para pedir informações sobre questões climáticas e logísticas, tentando se organizar para que, no caso de uma nova emergência, pudessem evitar uma repetição da tragédia passada, evitando que fosse repetido o grande número de mortos, feridos e desalojados.

TERESÓPOLIS/TRAGÉDIA

Foto: Wilton Júnior/AE

No ano passado o orçamento estadual previsto para o programa de “Ampliação da Capacidade da Defesa Civil”, que incluiu as despesas com a ampliação do sistema de Alerta e Alarme contra cheias, foi de 40 milhões de reais, porém apenas 13 milhões foram executados, o que já demonstrava a falta de interesse e investimento nesta área. Em 2015 o programa foi descontinuado e, para a ampliação da defesa civil, o governo só aprovou 55 mil reais de investimento (3,4).

É possível que os motivos que encorajaram a classe política bancar o término deste programa, seja a diminuição perceptível das chuvas e a ausência de eventos catastróficos recentes. Seria difícil bancar uma decisão desta após, por exemplo, o desastre ocorrido em 2011, que foi uma das maiores tragédias climáticas da história do país (5). Entretanto, será que os moradores de zonas de alagamento e de deslizamento também pensam assim? É triste perceber como é difícil manter programas de prevenção neste país, estas atividades são silenciosas e não repercutem tanto em governos que se sustentam na propaganda e no assistencialismo. No final das contas será, mais uma vez, a população mais pobre quem vai pagar pelas consequências.

Brazil Flood Deaths

Foto: Felipe Dana/AE

Para agravar a situação, no ano passado houve um investimento de 13 milhões de reais na compra e instalação de radares meteorológicos em Macaé e na Ilha de Guaratiba. Estes radares serviriam para ampliar a cobertura do Sistema de Alerta de Cheias. Além disso, muitos dos profissionais, hoje demitidos, foram treinados para operar estes equipamentos e/ou interpretar as informações coletadas por eles (6). Atualmente o programa possui uma infra-estrutura melhor do que nos anos anteriores, porém por falta de interesse, não está funcionando e pode estar perdendo a capacidade de prever catástrofes. O pior é que o atual governo não apresenta nenhuma alternativa para que este monitoramento seja mantido, e agora o que nos resta é “torcer” para que não chova forte, o que parece uma contradição em momentos de seca nos reservatórios do Estado do Rio de Janeiro, e esta contradição expõe como estamos sendo “desgovernados”.

 

1.http://www.inea.rj.gov.br/Portal/MegaDropDown/Monitoramento/Centrodemonitdedesastresamb/Alertadecheias/index.htm&lang=

2. http://inea.infoper.net/

3.  http://www.rj.gov.br/web/seplag/exibeconteudo?article-id=186183

4.http://www.transparencia.rj.gov.br/transparencia/faces/OrcamentoTematico/orcamentoFacil?_afrLoop=341934751479000&_afrWindowMode=0&_adf.ctrl-state=hddf0sw40_4

5. http://noticias.ambientebrasil.com.br/clipping/2011/01/18/65299-especialistas-divergem-sobre-maior-tragedia-climatica-da-historia-do-pais.html

6. http://www.rj.gov.br/web/imprensa/exibeconteudo?article-id=2250700


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